Notícia

Micropartículas magnéticas transportam antibióticos diretamente ao local de infecção no trato gastrointestinal

O sucesso da ‘entrega localizada’ de praticamente todo o fármaco administrado é alcançado com o uso de um ímã externo localizado no abdômen em uma posição determinada pelo local da infecção

Divulgação, UFRN

Fonte

UFRN | Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Data

segunda-feira, 3 maio 2021 06:25

Áreas

Doenças Infecciosas. Entrega de Medicamentos.

Pesquisas conjuntas de cientistas das áreas da Física, Medicina e Farmácia resultaram na concessão de mais uma tecnologia patenteada na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O invento é um sistema de micropartículas magnéticas capaz de transportar antibióticos de modo a otimizar o tratamento de infecções por Helicobacter pylori (H. pylori) no trato gastrointestinal e fazer com que eles atuem de maneira concentrada no local da doença. A bactéria H. pylori causa infecção responsável pelo surgimento de muitas úlceras pépticas, alguns tipos de gastrite e de câncer do estômago.

O Dr. Artur da Silva Carriço destacou que o sistema magnético é constituído de micropartículas polimerizadas contendo quantidades controláveis de antibióticos e nanopartículas magnéticas de magnetita. Segundo ele, além de concentrar todo o fármaco administrado no local da infecção, reduzindo a quantidade de fármaco administrada para atingir a concentração inibitória mínima da bactéria, a vetorização magnética também reduz os efeitos colaterais porque o fármaco fica impedido de atingir outras partes do corpo.

“Produzimos Micropartículas Polimerizadas contendo Fármacos (MPF) com um núcleo contendo antibióticos e partículas de magnetita e uma camada externa de proteção composta por polímero gastro-resistente, sensível ao pH (potencial hidrogeniônico), que é estável em pH ácido. O processo de síntese das micropartículas permite, entre outras coisas, controlar o conteúdo de antibiótico das micropartículas, bem como a susceptibilidade magnética. Importante ressaltar que as micropartículas podem ser usadas para preparar comprimidos ou cápsulas com características especiais”, explicou o professor.

O sucesso da “entrega localizada” de praticamente todo o fármaco administrado é alcançado com o uso de um ímã externo localizado no abdômen em uma posição determinada pelo local da infecção, de modo que seja mínima a distância entre o ímã externo e o local da infecção. O ímã é utilizado a fim de direcionar as MPF para o local da infecção e promover a permanência das micropartículas no local de interesse, após a administração por via oral do antibiótico. Ao atingir o local da infecção no tecido epitelial do estômago, com pH neutro, a proteção polimérica desfaz-se e os antibióticos são liberados.

É como se a MPF fosse uma cápsula que estivesse dotada de um GPS com coordenadas estabelecidas para partida e chegada e, sob controle da técnica da vetorização, com sua biodistribuição impedida, e destino certo. A cápsula é controlada para atingir o local da infecção.

No mesmo documento, o grupo coloca que, por meio da difratometria de raios-X – técnica para detecção de radiação espelhada pela matéria – ficou comprovada a composição da MPF e a eficácia do método de preparação das micropartículas polimerizadas com fármacos.

O registro da propriedade intelectual tem também como autores pesquisadores dos programas de pós-graduação de Ciências Farmacêuticas e de Ciências da Saúde, e foi expedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) sob a denominação de Sistema magnético para vetorização de antibióticos para tratamento de infecções por Helicobacter Pylori.

O Dr. Artur Carriço salienta que o esforço de pesquisa na vetorização magnética de fármacos teve início há vinte anos e, desde sua criação, esteve sempre voltado para a vetorização de antineoplásicos para a eliminação de tumores malignos. “Nosso grupo é pioneiro em propor uso da vetorização magnética de antibióticos”, concluiu o pesquisador.

Acesse a notícia completa na página da UFRN.

Fonte: Wilson Galvão, AGIR/UFRN. Imagem: Divulgação, UFRN.

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