Notícia

Nova estratégia pode identificar alvos terapêuticos no câncer de mama triplo negativo

Estratégia permite identificar proteínas da membrana das células tumorais, para posteriormente atacar especificamente estas células utilizando anticorpos específicos contra estas proteínas

Georgetown Lombardi Comprehensive Cancer Center, National Cancer Institute (NCI)

Fonte

Universidade de Salamanca

Data

terça-feira, 26 abril 2022 11:20

Áreas

Biologia. Biomedicina. Biotecnologia. Desenvolvimento de Fármacos. Medicina de Precisão. Microbiologia. Oncologia. Saúde Pública.

Segundo dados publicados pela Sociedade Espanhola de Oncologia Médica, o câncer mais diagnosticado em mulheres é o câncer de mama. Embora o tumor de cada paciente seja molecularmente diferente, clinicamente os tumores de mama são agrupados em três subgrupos. Dentre eles, o chamado subtipo triplo negativo é o mais agressivo e representa 15% a 20% de todos os casos de câncer de mama. Apesar de ter diferentes opções terapêuticas, estas ainda não são suficientes para a cura. Portanto, esse tipo de câncer de mama requer a incorporação de novos e eficazes tratamentos na prática clínica.

Nesse sentido, uma estratégia que vem dando bons resultados se baseia na descoberta de novos alvos terapêuticos no câncer por meio da análise do que se chama de ‘surfaceoma’, que são as proteínas da superfície celular. Essas proteínas estão sendo investigadas porque, devido à sua localização na superfície celular, são acessíveis, e a expressão de algumas delas está alterada em vários tipos de câncer. De fato, algumas dessas proteínas são ‘superexpressas’, ou seja, sua quantidade é muito maior na célula tumoral do que em uma célula normal. Isso permite atuar preferencialmente na célula tumoral utilizando, por exemplo, anticorpos específicos contra essa proteína. Atualmente, existem diferentes estratégias terapêuticas que visam proteínas da superfície celular. Estas estratégias incluem anticorpos conjugados com drogas (ADCs). ADCs são anticorpos aos quais um agente tóxico para a célula foi ligado. Portanto, essas drogas adicionam o efeito antitumoral do anticorpo e o efeito antitumoral da droga ligada a eles.

“Levando em consideração a atual necessidade de incorporar novos medicamentos destinados ao câncer de mama triplo negativo mais eficazes e devido à eficácia clínica dos ADCs, o nosso grupo partiu para identificar novos alvos para ADCs que poderiam ser usados ​​para tratar este subtipo de câncer de mama”, disse o Dr. Juan Carlos Montero, pesquisador da Universidade de Salamanca, na Espanha, que participa de um grupo de pesquisa nessa linha.

Em primeiro lugar, foi elaborada uma lista de possíveis alvos da superfície celular suscetíveis a serem atacados com ADCs. Especificamente, usando técnicas genômicas e proteômicas, tecidos mamários normais e tecidos tumorais de mama triplo negativos foram comparados. Este estudo levou à identificação de um grupo de cerca de 20 proteínas que poderiam ser alvos de ADCs. Estudos posteriores focaram o interesse em uma delas, chamada CD98hc. Contra essa proteína, um ADC foi preparado em laboratório.

Na fase seguinte da pesquisa, foram realizados experimentos in vitro, ou seja, foram utilizadas linhagens celulares de câncer de mama triplo negativo. “Nesses estudos foi observado  que este ADC tinha uma atividade antitumoral potente e específica contra células de câncer de mama triplo negativo”, disse o professor Juan Montero. O ADC contra a proteína CD98hc não apenas bloqueou a progressão do ciclo celular (impediu a expansão das células tumorais), mas também causou a morte das células tumorais.

Para aprofundar o efeito antitumoral observado do ADC contra a CD98hc, novos experimentos foram realizados. Então, os pesquisadores trabalharam com modelos experimentais in vivo, ou seja, esse efeito antitumoral do ADC foi verificado em camundongos com tumores criados após injetá-los com células de câncer de mama humano triplo-negativo. Desta forma, verificou-se que o ADC contra a proteína CD98hc reduziu o volume tumoral no animal.

Os pesquisadores destacaram que “esses resultados pré-clínicos abrem as portas para a possibilidade de explorar a eficácia dos ADCs contra a proteína CD98hc na clínica”. Por outro lado, é possível que a proteína CD98hc também esteja superexpressa em outros tipos de tumores. Se assim for, isso ampliaria ainda mais o valor do trabalho, pois abrirá a possibilidade de usar a proteína CD98hc como um novo alvo terapêutico de ADC para a terapia de outros tipos de câncer. Finalmente, o uso desta estratégia para identificar proteínas de superfície celular, diferencialmente expressas em tumores, permite estabelecer as bases para definir novos alvos potenciais de ADCs em outros tumores sólidos ou hematológicos.

Os resultados foram publicados na revista científica Journal of Experimental & Clinical Cancer Research.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade de Salamanca (em espanhol).

Fonte: Almudena Timón, Centro de Investigação do Câncer de Salamanca. Imagem: Células de câncer de mama. Fonte: Georgetown Lombardi Comprehensive Cancer Center, National Cancer Institute (NCI).

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