Notícia

Os perigos do excesso de medicamentos

O uso de muitos medicamentos pode levar a diagnósticos errôneos, efeitos adversos e idas ao pronto-socorro

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Fonte

Universidade Yale

Data

terça-feira, 8 setembro 2020 15:15

Áreas

Bioquímica. Farmácia Clínica. Saúde Pública.

Geralmente,o uso de medicamentos aumenta à medida que envelhecemos. Mas o uso de muitos medicamentos pode se tornar um problema: quanto mais medicamentos consumimos, maiores são as chances de um medicamento ter uma interação negativa com outro e causar um efeito adverso sério. Esse conceito de consumo de vários medicamentos incorporados à rotina é chamado de polifarmácia. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), polifarmácia corresponde ao uso rotineiro de cinco ou mais medicamentos por pessoa, incluindo medicamentos que precisam ou não de prescrição médica.

Eventos adversos com medicamentos ou problemas médicos inesperados que ocorrem durante o tratamento com um medicamento ou outra terapia causam 1,3 milhão de visitas à emergência de hospitais nos Estados Unidos a cada ano e cerca de 350 mil hospitalizações, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

Esses eventos médicos são mais comuns entre pessoas mais idosas – aqueles com mais de 65 anos têm quase sete vezes mais probabilidade do que os mais jovens de serem internados no hospital após uma visita ao pronto-socorro e, na maioria das vezes, essa visita se deve a uma interação medicamentosa negativa. “É necessário apenas um medicamento desnecessário ou uma combinação negativa de medicamentos para causar um problema sério”, afirmou a Dra. Karen Jubanyik, médica, professora e especialista em medicina de emergência da Escola de Medicina da Universidade Yale, nos Estados Unidos.

“Em muitos casos, você pode não precisar de todos os medicamentos que está tomando. Nós olhamos as listas de medicamentos das pessoas com atenção – especialmente se elas têm uma nova preocupação, se estão tendo problemas com sua memória ou se correm o risco de cair. É um processo que envolve ouvir o paciente e aprender sobre o que ele quer e espera de um determinado medicamento”, disse a Dra. Marcia Mecca, geriatra e professora da Escola de Medicina da Universidade Yale.

A polifarmácia é um problema de comunicação?

Um processo que pode acontecer é a chamada de cascata de prescrição. “Basicamente, um paciente começou a tomar um medicamento, teve efeitos colaterais e depois recebeu outro medicamento para lidar com os efeitos colaterais do primeiro medicamento. Logo o paciente tem vários medicamentos interagindo e causando sintomas”, disse o Dr. Gregory Ouellet, geriatra da Escola de Medicina da Universidade Yale.

Outro cenário que a Dra. Karen Jubanyik vê é um paciente tomando dois tipos de medicação para o mesmo tratamento – por exemplo, um médico de atenção primária pode ter prescrito um diurético e, em seguida, um cardiologista – que não sabia sobre a primeira prescrição – prescreve outro.

Ainda outro problema envolve um mal-entendido de instruções. “Trabalhei com um paciente que tomava remédio para alergia o ano todo por décadas para depois descobrir que era apenas para a temporada de alergia”, disse a Dra. Marcia Mecca.

“Muitos problemas de medicação não são diagnosticados até que os pacientes acabem no pronto-socorro, onde ficam surpresos quando um médico recomenda que eliminem um medicamento”, destacou a Dra. Karen Jubanyik.

Por que as drogas são tão complicadas para os idosos

Os medicamentos afetam o envelhecimento do corpo de forma diferente e ter essas informações pode ajudar as pessoas a fazerem melhores escolhas sobre os medicamentos que tomam. Por exemplo, “as mudanças físicas que vêm com o envelhecimento podem fazer com que os rins demorem mais para eliminar os medicamentos, o que pode significar essencialmente que eles estão experimentando os efeitos de uma dose mais alta”, diz a Dra. Marcia Mecca. Além do mais, “o fígado e os rins são os principais sistemas orgânicos que metabolizam e eliminam os subprodutos da medicação, e os órgãos de uma pessoa de 90 anos não funcionarão da mesma forma que os de uma pessoa de 30”, enfatizou a Dra. Karen Jubanyik. observando que a medicação que não sai do organismo de uma pessoa pode se acumular e se tornar tóxica.

Subjacente a todas essas questões está o fato que nem sempre há dados bons sobre como um determinado medicamento afetará uma pessoa idosa – “os ensaios clínicos para provar a segurança e a eficácia geralmente se concentram em pacientes mais jovens”, disse a Dra. Karen Jubanyik. Isso significa que um médico que prescreve um medicamento a uma pessoa idosa nem sempre tem um roteiro claro do que esperar. “As empresas farmacêuticas, em busca de uma droga que será usada principalmente em pessoas de 50 ou 60 anos, não tendem a incluir muitas pessoas de 90 anos, que podem ter várias doenças crônicas, em seus ensaios clínicos. Eles também não vão estudar em pessoas que estão tomando vários outros medicamentos. Mas, uma vez que esse medicamento seja aprovado, você aprende muito mais. Em milhares e milhares de pessoas mais velhas, você começa a ver efeitos colaterais que não foram previstos”, destacou a pesquisadora.

Caixa para organização de comprimidos pode ajudar

Mesmo depois que os médicos ajudam os pacientes a eliminar os medicamentos desnecessários, o regime diário de pílulas pode estressante, disse a Dra. Carolyn Fredericks, neurologista da Universidade Yale. Ela vê isso se tornar especialmente problemático entre pacientes com problemas cognitivos ou de demência e diz que alguns pacientes precisarão de um membro da família ou de um cuidador para ajudar. Uma solução que pode ajudar é configurar lembretes em um smartphone. Ou mesmo usar uma caixa organizadora de comprimidos.

No final, os médicos sugerem que você experimente o método de controle dos medicamentos que funciona melhor para você. “Deixar de tomar uma ou duas doses pode levar a problemas sérios. A medicação só ajuda se for tomada de maneira adequada”, concluiu a Dra. Carolyn Fredericks.

Acesse o Relatório Técnico sobre Segurança das Medicações na Polifarmácia, da ONU (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade Yale (em inglês).

Fonte: Kathy Katella, Escola de Medicina da Universidade Yale. Imagem: Freepik.

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