Notícia

Pesquisa busca compreender processos envolvidos na metástase e no reaparecimento de cânceres

Definida como a disseminação de células cancerosas para órgãos secundários, a metástase é a principal causa de morbidade e mortalidade relacionada ao câncer

National Cancer Institute (EUA) via Unsplash

Fonte

UFSC | Universidade Federal de Santa Catarina

Data

quarta-feira, 20 julho 2022 06:50

Áreas

Bioinformática. Biologia. Biomedicina. Bioquímica. Imunologia. Microbiologia. Oncologia. Saúde Pública.

Em um novo projeto de pesquisa, o Dr. Edroaldo Lummertz da Rocha, professor do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), procura compreender o processo de metástase do câncer de mama para a medula óssea e como se dá seu envolvimento no reaparecimento do tumor mesmo muitos anos após o tratamento com sucesso do tumor primário. O trabalho, que pode colaborar para o desenvolvimento de novas terapias que reduzam a propensão ao reaparecimento de tumores, foi um dos dez selecionados na quinta chamada pública de apoio à ciência do Instituto Serrapilheira, uma instituição privada de fomento à ciência.

Definida como a disseminação de células cancerosas para órgãos secundários, a metástase é a principal causa de morbidade e mortalidade relacionada ao câncer. Após a resseção do tumor primário, as células tumorais que se disseminaram para a medula óssea no início da formação do tumor sobrevivem mesmo após o tratamento quimioterápico, levando ao reaparecimento da doença meses ou anos após o tratamento bem-sucedido do tumor primário. “Ao chegar na medula óssea, estas células tumorais do câncer de mama entram em um estado de quiescência, permanecendo em repouso por muitos anos, se escondendo da destruição mediada por células imunológicas, e também sendo resistentes ao tratamento quimioterápico. Porém, por fatores ainda pouco compreendidos, estas células tumorais em repouso são reativadas anos depois, levando ao surgimento de metástases ósseas, que podem também se espalhar para múltiplos órgãos”, explicou o professor Edroaldo.

Ainda não está claro, no entanto, como essas células tumorais metastáticas se adaptam e sobrevivem na medula óssea durante os estágios iniciais do desenvolvimento do tumor, adquirem quimiorresistência durante o tratamento adjuvante e são reativadas para gerar metástase óssea, e possivelmente para outros órgãos. O estudo do Dr. Edroaldo pode ajudar a compreender os detalhes celulares e moleculares desses processos – o que é fundamental para encontrar possibilidades terapêuticas.

“A hipótese de trabalho do projeto é que as interações entre células tumorais metastáticas e microambientes especializados da medula óssea fornecem sinais que regulam características cruciais das células tumorais que se disseminaram para a medula, como o estado de repouso, quimiorresistência e reativação”, afirmou o pesquisador. Para testar essa hipótese, será empregada uma abordagem inovadora baseada em imageamento da medula óssea, sequenciamento de transcriptoma (conjunto que envolve RNAs mensageiros, ribossômicos e transportadores, além de microRNAs) e algoritmos computacionais para definir redes de comunicação intercelular entre células tumorais e o microambiente da medula óssea.

Em testes com células e com animais, os pesquisadores irão inibir os genes criticamente importantes para a sobrevivência das células tumorais e esperam reduzir, ou até mesmo prevenir, o surgimento de metástases após a cirurgia. “Este estudo terá implicações importantes para entender o comportamento destas células tumorais e seus mecanismos de sobrevivência”, ressaltou o professor Edroaldo, enfatizando que o conhecimento gerado será utilizado para determinar se os programas de expressão de genes identificados poderão ser explorados para fins terapêuticos.

Conduzido no Laboratório de Biologia de Sistemas, coordenado pelo professor Edroaldo, o projeto é multidisciplinar e prevê colaborações de outros grupos de pesquisa, como o Laboratório de Farmacologia e Bioquímica do Câncer da UFSC (Labcancer), coordenado pelo professor Dr. Alfeu Zanotto Filho. O financiamento também proporcionará treinamento de alto nível nas áreas de Biologia Computacional, Imunologia e Biologia do Câncer para estudantes de mestrado e doutorado.

Acesse a notícia completa na página da Universidade Federal de Santa Catarina.

Fonte:  UFSC. Imagem: Células tumorais que se disseminam para a medula óssea sobrevivem mesmo após o tratamento quimioterápico e podem levar ao reaparecimento da doença. Fonte: National Cancer Institute (EUA) via Unsplash.

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