Notícia

Pesquisadores sintetizam nanopartícula que pode tratar câncer

O nanocarreador trimodal é capaz de gerar e monitorar calor em tempo real durante terapia térmica contra o câncer

Divulgação, FAPEG

Fonte

FAPEG | Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás

Data

sábado, 22 maio 2021 11:40

Áreas

Nanotecnologia. Oncologia

O câncer é uma das principais causas de mortalidade no mundo. O Ministério da Saúde prevê que, até 2030, surjam cerca de 21,4 milhões de novos casos e 13,2 milhões de mortes relacionadas com a doença no Brasil. A detecção precoce e o tratamento efetivo são fundamentais para salvar vidas. Atualmente, a grande esperança vem da nanotecnologia.

Um grupo de pesquisadores do Instituto de Física da Universidade Federal de Goiás (UFG), liderado pelo professor Dr. Andris Bakuzis, sintetizou uma nanopartícula magnética feita de materiais chamados teranósticos, com aplicações simultâneas em tratamento e em diagnóstico do câncer, com mínima toxicidade e que está gerando uma grande expectativa para futuras aplicações. “Estamos aprimorando ainda mais esse sistema para fazer estudos in vivo, inclusive em modelo tumoral metastático”, ressaltou o pesquisador. As pesquisas são realizadas junto ao Núcleo de Nanomedicina Térmica, que é um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG).

A equipe desenvolveu um nanocarreador multifuncional à base de óxido de ferro dopado com zinco e manganês visando aplicação no tratamento, em condições clínicas, por hipertemia magnética (HM) – tratamento oncológico que usa o calor para destruir as células-alvo com câncer. O calor na HM é gerado por nanopartículas quando submetidas à ação de campo magnético alternado. As nanopartículas são recobertas com sílica e contêm em sua matriz íons de neodímio (Nd). A nanopartícula magnética multifuncional pode gerar e monitorar calor (em tempo real) durante a terapia térmica. O tamanho do nanocarreador é da ordem de 100 nm, muito menor que a espessura de um fio de cabelo (aproximadamente 50.000 nm).

Os autores demonstraram que essa nova nanoestrutura tem aplicações interessantes também em terapia fototérmica (na primeira janela biológica – irradiação não-ionizante em 800 nm) – o que possibilita aplicações mais profundas no corpo do paciente, assim como tem potencial para monitoramento da entrega de calor de forma não invasiva por meio de nanotermometria luminescente. O grupo está trabalhando pensando também no tratamento de pacientes metastáticos. Os pesquisadores estão investigando aplicações do material diretamente no tumor e outras aplicações no sistema circulatório (sangue), “inclusive com sofisticadas estratégias de camuflagem, recobrindo a superfície de nanopartículas com membranas de eritrócitos para carrear agentes terapêuticos para sítio-alvo”, disse o Dr. Andris Bakuzis.

“Desenvolvemos uma nova nanopartícula que tem potencial para ser usada como um termômetro, ou seja, pode monitorar essa entrega de calor”, destacou o professor Bakuzis. Para ele, esse é um importante avanço, porque demonstra que esse tipo de nanocarreador multifuncional sintetizado pode ser utilizado em nanotermometria luminescente, o que permite o monitoramento dessas nanoterapias térmicas de forma não-invasiva. “Espera-se com isso aumentar a eficiência desse tratamento, que depende dessa dose térmica para o sucesso do monitoramento”, explicou o pesquisador.

“Vacina”

O Dr. Andris Bakuzis explicou que esse tratamento pode gerar uma ativação do sistema imune do paciente, levando a um efeito semelhante a uma vacinação, o que é chamado de “in-situ vaccination”, que pode ser realizado com as nanopartículas. O grupo do professor Bakuzis conta com estudos avançados neste sentido, mas ainda sem publicações.

“Nosso grupo está tentando entender como ativar a resposta imunológica por meio do controle dessa temperatura. Curiosamente, a ideia é que um tratamento local pode ativar o sistema imunológico, permitindo o reconhecimento de células tumorais pelo sistema imune do paciente. Nesse caso as células T aprendem a reconhecer o tumor, e ao encontrá-lo em outras regiões atacam o mesmo. Na literatura chamamos esse fenômeno de efeito abscopal”. Segundo ele, a tese já está finalizada, mas o artigo ainda está em preparação.

O professor espera que a pesquisa desenvolvida pela sua equipe seja consolidada nacionalmente e internacionalmente, aumentando a inserção do grupo e do estado de Goiás na área da nanomedicina oncológica mundialmente. Entre ações do grupo está a organização de eventos na área, como por exemplo o II Advanced School on Nanomedicine e o Workshop on Nanomedicine and Immunotherapy do Brazilian Breast Cancer Symposium, realizados de forma remota em maio, eventos que contam com a participação de três renomados pesquisadores internacionais (acesse informações em www.if.ufg.br).

O professor comemora ainda a oportunidade de contribuir com a formação de profissionais qualificados, especialistas nesta promissora técnica de nanomedicina. “Esperamos que este resultado fortaleça a pesquisa e o conhecimento para o tratamento oncológico, contribuindo de forma efetiva no combate dessa doença que constitui um grave problema de saúde pública em todo o mundo”, concluiu o Dr. Andris Bakuzis.

Recentemente, a equipe publicou o primeiro trabalho sobre o tema na revista científica ACS Applied Nano Materials.

Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da FAPEG.

Fonte: Helenice Ferreira, da Assessoria de Comunicação da FAPEG. Imagem: Divulgação, FAPEG.

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