Notícia

Algumas bactérias intestinais podem atenuar os efeitos colaterais da quimioterapia

Estudo indica que bactérias intestinais que ocorrem naturalmente podem limpar as toxinas da quimioterapia no corpo

Divulgação, Universidade Northwestern

Fonte

Universidade Northwestern

Data

quinta-feira, 27 maio 2021 07:15

Áreas

Biologia. Oncologia.

Um novo estudo da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, descobriu que tipos específicos de bactérias intestinais podem proteger outras bactérias boas de tratamentos de câncer – mitigando alterações nocivas induzidas por drogas no microbioma intestinal. Ao metabolizar os medicamentos da quimioterapia, a bactéria protetora pode atenuar os efeitos colaterais do tratamento em curto e longo prazo.

Eventualmente, a pesquisa pode levar a novos suplementos dietéticos, probióticos ou terapias para ajudar a melhorar a saúde intestinal de pacientes com câncer. Como as mudanças no microbioma em crianças relacionadas à quimioterapia estão ligadas a complicações de saúde mais tarde na vida – incluindo obesidade, asma e diabetes – descobrir novas estratégias para proteger o intestino é particularmente importante para pacientes pediátricos com câncer.

“Ficamos realmente inspirados pela biorremediação, que usa micróbios para limpar ambientes poluídos”, disse a Dra. Erica Hartmann, professora da Universidade Northwestern e autora sênior do estudo. “Normalmente a biorremediação se aplica à água subterrânea ou ao solo, mas, aqui, aplica-se ao intestino. Sabemos que certas bactérias podem destruir tratamentos tóxicos do câncer. Ficamos imaginando se, ao decompor as drogas, essas bactérias poderiam proteger os micróbios ao seu redor. Nosso estudo mostra que a resposta é ‘sim’. Se algumas bactérias podem quebrar as toxinas rápido o suficiente, isso fornece um efeito protetor para a comunidade microbiana”, destacou a pesquisadora.

Os resultados da pesquisa foram publicados no dia 26 de maio na revista científica mSphere.

Embora os tratamentos contra o câncer salvem vidas, eles também causam efeitos colaterais profundamente severos e dolorosos, incluindo problemas gastrointestinais. As quimioterapias, em particular, podem destruir as bactérias saudáveis ​​e “boas” do intestino humano.

“As drogas quimioterápicas não diferenciam entre matar células cancerosas e matar micróbios. Os micróbios em seu intestino ajudam a digerir a comida e a mantê-lo saudável. Matar esses micróbios é especialmente prejudicial para as crianças porque há algumas evidências de que a perturbação do microbioma intestinal no início da vida pode levar a potenciais problemas de saúde mais tarde na vida ”, destacou a Dra. Erica Hartmann.

Trabalhando com o Dr. Patrick Seed, professor de Pediatria e Microbiologia-Imunologia na Escola de Medicina da Universidade Northwestern, os pesquisadores do laboratório da Dra. Hartmann aprenderam com a bactéria Raoultella planticola. Ocorrendo naturalmente no intestino humano em baixa abundância, a Raoultella planticola pode quebrar a droga de quimioterapia doxorrubicina, o que foi demonstrado em outras pesquisas.

Para testar se esse efeito de degradação poderia proteger ou não todo o microbioma, a equipe desenvolveu comunidades microbianas simplificadas, que incluíam vários tipos de bactérias normalmente encontradas no intestino humano. As “comunidades simuladas do intestino” incluíam cepas de bactérias (Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae) que são boas em quebrar a doxorrubicina, cepas (Clostridium innocuum e Lactobacillus rhamnosus) que são especialmente sensíveis à doxorrubicina e uma cepa (Enterococcus faecium) que é resistente à doxorrubicina mas não a decompõe.

A equipe então expôs essas comunidades simuladas do intestino à doxorrubicina e descobriu um aumento na sobrevivência entre cepas sensíveis. Os pesquisadores concluíram que, ao degradar a doxorrubicina, certas bactérias tornaram as drogas menos tóxicas para o resto do intestino.

Embora a pesquisa destaque um novo caminho promissor para potencialmente proteger pacientes com câncer, a Dra. Hartmann adverte que traduzir as novas descobertas em tratamentos ainda está longe: “Existem várias aplicações que seriam ótimas para ajudar os pacientes com câncer – principalmente os pediátricos – a não sentir esses efeitos colaterais graves. Mas ainda estamos longe de realmente tornar isso uma realidade”, concluiu a pesquisadora.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade Northwestern (em inglês).

Fonte: Amanda Morris, Universidade Northwestern. Imagem: Comunidades microbianas simplificadas utilizadas na pesquisa incluíram vários tipos de bactérias normalmente encontradas no intestino humano. Fonte: Divulgação, Universidade Northwestern.

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