Notícia

Cientistas do Brasil e da Índia criam tratamento promissor contra tumores sólidos

Em testes com animais, nanopartículas contendo substâncias já aprovadas para uso humano reduziram a inflamação no microambiente biológico em que cânceres desse tipo se instalam e vicejam, facilitando a ação do sistema imune

NCI Center for Cancer Research/NIH

Fonte

Agência FAPESP

Data

terça-feira, 23 abril 2024 18:50

Áreas

Biologia. Biomedicina. Biotecnologia. Engenharia Biológica. Entrega de Medicamentos. Estudo Clínico. Imunologia. Microbiologia. Oncologia. Saúde Pública.

Artigo publicado recentemente na revista científica Journal of Controlled Release detalhou o resultado de colaboração científica internacional que desenvolveu uma alternativa para o tratamento dos tumores sólidos por meio da inibição do chamado microambiente tumoral inflamatório (tumour microenvironment ou TME).

Tumores sólidos costumam ser o tipo de câncer de tratamento mais desafiador por causa da dificuldade de penetração dos fármacos. O microambiente tumoral inflamatório, onde os tumores estão alojados, contém várias células e substâncias do próprio paciente que impedem as células de defesa de combater o tumor. “Muitas vezes essas células e moléculas ajudam o tumor a crescer e, por isso, dizemos que ele escapa da vigilância do sistema imune”, explicou a Dra. Lúcia Helena Faccioli, professora titular da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP) e coordenadora da Central de Quantificação e Identificação de Lipídeos (Ceqil), instalada com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) por meio do Programa ‘Equipamentos Multiusuários’.

“Há sempre um cabo de guerra entre células imunológicas promotoras e inibidoras de tumores no TME, onde metabólitos, mediadores lipídicos, citocinas e quimiocinas desempenham um papel importante no domínio da natureza imunossupressora”, escreveram os autores do artigo, incluindo a Dra. Viviani Nardini, pesquisadora do Departamento de Análises Clínicas, Toxicológicas e Bromatológicas da FCFRP-USP, e cientistas de instituições indianas liderados pelo Dr. Avinash Bajaj, chefe do Laboratório de Nanotecnologia e Química Biológica do Centro Regional de Biotecnologia de Faridabad, no estado indiano de Haryana.

A equipe desenvolveu nanomicelas – partículas muito pequenas, medindo entre 1 e 100 nanômetros – compostas de diferentes substâncias e, por isso, chamadas de quimeras. As nanomicelas quiméricas produzidas são compostas por fosfolipídios (NMs), docetaxel (DTX), substância usada para matar as células tumorais, e dexametasona (DEX), um anti-inflamatório muito empregado para diminuir a produção de várias substâncias inflamatórias, como a prostaglandina E2 (PGE2).

Os estudos em animais de laboratório mostraram que essas partículas (NMs+DTX+DEX), ministradas por via intravenosa, foram muito eficientes, diminuindo o tamanho de tumores e aumentando a sobrevida dos animais: os não tratados morrem sempre ao redor de 28 a 30 dias, mas os tratados sobreviveram até 44 a 50 dias, explicou a professora Lúcia Faccioli.

“O tratamento induziu uma diminuição superior a cinco vezes no volume do tumor em comparação com tumores não tratados no modelo de câncer de cólon”, detalhou o Dr. Avinash Bajaj. As nanomicelas reduziram e alteraram as células presentes ao redor do tumor, aquelas que impedem a ação do sistema imune, favoreceram o aumento de tipos específicos de leucócitos que matam células tumorais e também inibiram a liberação de PGE2, substância inflamatória presente no microambiente tumoral que diminui a ação antitumoral de determinadas células de defesa.

“Embora esses estudos tenham sido feitos em animais, os resultados são muito promissores e abrem possibilidades de estudos em humanos, já que as partículas são formadas por compostos já aprovados para utilização humana”, comemorou a professora Lúcia Faccioli.

Além da USP e do laboratório coordenado pelo Dr. Avinash Bajaj, participaram da pesquisa o Amity Institute of Integrative Sciences and Health (Haryana), o Departamento de Cirurgia Oncológica do All India Institute of Medical Sciences (Nova Déli), o Instituto Nacional de Imunologia de Nova Déli e o Instituto Nacional de Genômica Biomédica (Kalyani, Bengala Ocidental).

Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Agência FAPESP.

Fonte: Ricardo Muniz, Agência FAPESP. Imagem: células de câncer de cólon. Fonte: NCI Center for Cancer Research/NIH.

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