Notícia

Cientistas identificam proteína relacionada a processos de neurodegeneração

Estudo pode colaborar para compreensão e tratamento de doenças como Parkinson e Alzheimer

Zeiss Microscopy

Fonte

UFRGS | Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Data

sexta-feira, 30 agosto 2019 09:45

Áreas

Biologia. Bioquímica. Neurociências. Doenças Neurodegenerativas.

Um grupo de pesquisadores identificou uma proteína responsável pelo início de processos de neurodegeneração após o organismo sofrer uma inflamação aguda, o que pode levar ao entendimento da causa de doenças como Alzheimer e Parkinson. Chamada de Receptor para Produtos Finais de Glicação Avançada (Rage, na sigla em inglês), essa proteína está presente normalmente em nosso sistema imune, mas também pode aparecer em outros tipos de células quando temos alguma inflamação. Em testes com animais, os cientistas conseguiram inibir a ação da proteína no cérebro dos animais e, com isso, protegê-los contra a neurodegeneração. Os resultados do estudo foram publicados em 2017 na revista científica Journal of Biological Chemistry e, neste ano, o artigo foi selecionado para constar em um número especial da revista, no qual estão reunidos os trabalhos considerados mais representativos dos avanços da pesquisa científica em bioquímica realizada na América do Sul nos últimos quatro anos.

Para investigar a relação entre o desenvolvimento de inflamações e a neurodegeneração e o papel do Rage nesse processo, os cientistas induziram a sepse nos animais. Desencadeada por uma resposta inflamatória acentuada diante de uma infecção, a sepse ocorre quando, na tentativa de proteger o corpo de um agente infeccioso, o sistema imunológico provoca uma inflamação generalizada, que se espalha pelo organismo e acaba afetando diferentes órgãos, podendo até mesmo comprometer seu funcionamento.

Conforme explica o professor do Departamento de Bioquímica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coautor da pesquisa, Dr. Daniel Pens Gelain, a motivação para o trabalho surgiu da observação de que os pacientes de sepse, mesmo após sua recuperação, apresentavam grande frequência de sequelas, com variados problemas neurológicos. “E aí, a gente começou a pensar se um evento de inflamação, ou diversos eventos de inflamação, não poderiam estar associados ao início de doenças neurodegenerativas, porque, na maior parte do tempo, essas doenças são silenciosas. Quando tem diagnóstico de Parkinson, de Alzheimer, já existe um processo de neurodegeneração bastante avançado no cérebro”, comenta.

Confirmando a hipótese, os cientistas verificaram que, após a recuperação da sepse, os animais apresentavam uma série de alterações em marcadores bioquímicos indicadores de neurodegeneração e característicos da doença de Alzheimer, a exemplo do peptídeo beta-amiloide e da proteína tau fosforilada, elementos encontrados no cérebro de pacientes com a doença. Por outro lado, os animais que tiveram o Rage inibido após a sepse tiveram uma recuperação desses marcadores bioquímicos e melhores performances em testes cognitivos. “Neste trabalho, a observação que eu considero mais importante é que nós inibimos a proteína, o Rage, já bem depois da sepse, numa fase em que começam os primeiros indícios de neurodegenaração no cérebro. Isto é uma coisa que faz falta na clínica hoje, que faz falta num contexto de medicina: tratamentos que possam ser aplicados quando já tem a doença diagnosticada”, afirma o Dr. Daniel Gelain.

A inibição do Rage foi feita diretamente no cérebro dos animais, por um processo chamado de neutralização imune. Um anticorpo “programado” para reconhecer essa proteína específica foi injetado na região afetada: o hipocampo − estrutura fundamental para o armazenamento de memórias. “O tipo de inibição que fizemos é experimental. Essa é uma proteína relativamente nova, foi descoberta nos anos 90 e caracterizada por poucos grupos. E não tem nenhum medicamento desenvolvido para atuar nela. Na realidade, isso é parcialmente verdade. Tem uma droga que foi desenvolvida para atuar nela e que foi testada para doença de Alzheimer, mas nos testes clínicos não apresentou um resultado que se considerasse relevante”, esclarece o professor.

Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da UFRGS Ciência.

Fonte: Camila Raposo, UFRGS Ciência. Imagem: Zeiss Microscopy.

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