Notícia

Coronavírus: saiba mais sobre o vírus e a doença

Pesquisadores estão desenvolvendo testes de diagnóstico para detectar rapidamente a infecção pelo coronavírus e explorando o uso de drogas antivirais de amplo espectro para tratar a doença

NIAID, NIH

Fonte

Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e Anvisa

Data

sábado, 25 janeiro 2020 11:20

Áreas

Doenças Infecciosas. Saúde Pública.

Os novos casos de pneumonia viral originários de Wuhan, China, marcam a terceira vez em 20 anos que um membro da grande família de coronavírus (CoVs) migrou de animais para humanos e provocou um surto. Em um artigo publicado na revista científica JAMA, o Dr. Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), dos Estados Unidos, analisa dois surtos de coronavírus que inicialmente causaram problemas globais e descreve as etapas necessárias para conter o surto atual.

O Dr. Fauci e as co-autoras, Dra. Hilary D. Marston, do NIAID, e Dra. Catharine Paules, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, observam que os coronavírus humanos historicamente têm sido considerados causas relativamente benignas do resfriado comum. Em 2002, no entanto, surgiu um novo coronavírus altamente patogênico na China que causou 8.098 casos registrados de síndrome respiratória aguda grave (SARS), incluindo 774 mortes, e custou bilhões de dólares à economia global. As medidas clássicas de saúde pública encerraram o surto.

Outro coronavírus migrou de animais para humanos em 2012 para causar a síndrome respiratória no Oriente Médio (MERS). Ao contrário do CoV-SARS, que não teve casos adicionais desde que foi eliminado alguns meses após o surto inicial, o CoV-MERS continua a afetar pessoas devido à transmissão esporádica dos camelos – o hospedeiro intermediário do vírus – para  pessoas e alguns casos de transmissão entre pessoas.

Este coronavírus mais recente é o chamado novo coronavírus de 2019 (2019-nCoV), reconhecido pelas autoridades chinesas em Wuhan em 31 de dezembro de 2019. Ele se espalhou para além de Wuhan para outras cidades chinesas e para vários países, incluindo pelo menos um caso confirmado nos Estados Unidos. “Embora a trajetória desse surto seja impossível de prever, a resposta eficaz requer uma ação imediata do ponto de vista das estratégias clássicas de saúde pública, para o desenvolvimento e implementação oportuna de contramedidas eficazes”, dizem os autores do estudo.

Os estudos atuais em instituições financiadas pelo NIAID e por cientistas nos laboratórios do NIAID incluem esforços que se baseiam em trabalhos anteriores sobre Cov-SARS e CoV-MERS. Por exemplo, os pesquisadores estão desenvolvendo testes de diagnóstico para detectar rapidamente a infecção pelo 2019-nCoV e explorando o uso de drogas antivirais de amplo espectro para tratar a doença, observam os autores. Os pesquisadores do NIAID também estão adaptando as abordagens usadas com as vacinas SARS e MERS para investigar o desenvolvimento de vacinas candidatas para o 2019-nCoV. Os avanços tecnológicos desde o surto de SARS comprimiram bastante o cronograma de desenvolvimento da vacinas, enfatizam os autores. Eles indicam que uma vacina candidata para o 2019-nCoV pode estar pronta para testes em estágio inicial em humanos em menos de três meses, em comparação com 20 meses para o desenvolvimento inicial de uma vacina SARS em estudo.

Os autores concluem que “o surgimento de mais um surto de doença humana causado por um patógeno de uma família viral anteriormente considerado relativamente benigno ressalta o desafio contínuo das doenças infecciosas emergentes e a importância da preparação sustentada”.

Anvisa

Com o aparecimento dos casos de doença respiratória causada pelo coronavírus na China, o governo brasileiro vem adotando medidas de preparação, orientação e controle para um possível atendimento de casos suspeitos no país.

A Anvisa integra o Centro de Operações de Emergência (COE) – Coronavírus. Instituído no dia 22 de janeiro pelo Ministério da Saúde, o comitê tem como objetivo preparar a rede pública de saúde para o atendimento de possíveis casos no Brasil, a fim de responder a eventuais ocorrências de forma unificada e imediata.

É importante destacar que, até o momento, não há confirmação de casos no Brasil.

Atuação da Anvisa

A Anvisa está orientando as equipes que trabalham em portos, aeroportos e fronteiras sobre a detecção de casos suspeitos e a utilização de equipamento de proteção individual (EPI), conforme descrito nos protocolos da Agência em eventos de saúde pública. Além disso, foram intensificados os procedimentos de limpeza e desinfecção nos terminais.

A Agência está acompanhando as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Até o momento, não há recomendação de restrições de viagem.

Além disso, a Anvisa preparou informes sonoros com orientações aos viajantes para divulgação em aeroportos.

Sintomas

Os coronavírus humanos causam infecções respiratórias brandas a moderadas, de curta duração. Os sintomas mais comuns são tosse, dor de garganta, coriza e febre. Em pessoas com doenças cardiopulmonares, com sistema imunológico comprometido ou bebês e idosos existe a possibilidade de o vírus causar infecções das vias aéreas inferiores, como pneumonia.

Modo de transmissão, tratamento e prevenção

A principal forma de transmissão dos coronavírus se dá por contato próximo de pessoa a pessoa.

Não existe um tratamento específico. É recomendado procurar um médico para avaliar os sintomas e acompanhar a evolução do quadro.

Ainda não existe vacina contra os coronavírus. Para reduzir a chance de contaminação, sugere-se evitar o contato com pessoas doentes, lavar com regularidade as mãos por pelo menos 20 segundos, utilizando água e sabão, e evitar tocar nos olhos, no nariz e na boca.

Acesse o artigo na revista JAMA (em inglês).

Acesse a notícia na página do NIH (em inglês).

Acesse a notícia na página da Anvisa.

Fonte: Institutos Nacionais de Saúde e Anvisa. Imagem: Partículas coloridas do vírus MERS (micrografia eletrônica de transmissão) (azul) encontradas próximas à periferia de uma célula VERO E6 infectada (amarela). Imagem capturada e aprimorada de cores no NIAID. Fonte: NIAID, NIH.

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