Notícia

Em Stanford, transplantes pediátricos de rim não precisaram de medicamentos imunossupressores

Novo método permitiu que crianças com distúrbios imunológicos recebessem um novo sistema imunológico e um rim de um dos pais

Getty Images

Fonte

Escola de Medicina da Universidade Stanford

Data

segunda-feira, 20 junho 2022 15:50

Áreas

Biologia. Biotecnologia. Imunologia. Microbiologia. Saúde da Criança. Transplantes.

Médicos da Escola de Medicina da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, desenvolveram uma maneira de realizar transplantes renais pediátricos sem drogas imunossupressoras. A principal inovação é um método seguro para transplantar o sistema imunológico do doador para o paciente antes que os cirurgiões implantem o rim.

A equipe médica chamou a combinação dos dois transplantes de ‘transplante duplo imune/órgão sólido”, ou DISOT. Um artigo científico descrevendo os três primeiros casos de DISOT, todos realizados no Lucile Packard Children’s Hospital Stanford, foi publicado na revista científica New England Journal of Medicine. A revista também publicou um editorial sobre a pesquisa.

A inovação de Stanford elimina a possibilidade de o receptor sofrer rejeição imunológica do órgão transplantado. (A rejeição de órgãos é a razão mais comum para um segundo transplante de órgão). O novo procedimento também livra os receptores dos efeitos colaterais substanciais de uma vida inteira de medicamentos imunossupressores, incluindo riscos aumentados de câncer, diabetes, infecções e hipertensão.

“É possível libertar com segurança os pacientes da imunossupressão ao longo da vida após um transplante de rim”, disse a Dra. Alice Bertaina, autora principal do estudo e professora de Pediatria de Stanford. O autor sênior estudo é o Dr. David Lewis, também professor de Pediatria em Stanford.

Os três primeiros pacientes do transplante DISOT foram crianças com uma doença imunológica rara, mas a equipe está expandindo os tipos de pacientes que podem se beneficiar. O protocolo recebeu aprovação da FDA em 27 de maio de 2022 para tratar pacientes com uma variedade de condições que afetam os rins. A Dra. Bertaina antecipou que o protocolo estará disponível para muitas pessoas que precisam de transplantes de rim, começando com crianças e adultos jovens, e depois expandindo para adultos mais velhos. Os pesquisadores também planejam investigar a utilidade do transplante DISOT para outros tipos de transplantes de órgãos sólidos.

A inovação científica da equipe da Dra. Bertaina tem outro benefício importante: permite o transplante seguro entre um doador e um receptor cujos sistemas imunológicos são geneticamente compatíveis, o que significa que as crianças podem receber doações de células-tronco e rins de um dos pais.

Desafio histórico

A ideia de transplantar um paciente com o sistema imunológico de seu doador de órgãos existe há décadas, mas tem sido difícil de implementar. Os transplantes de células-tronco da medula óssea fornecem ao paciente um sistema imunológico geneticamente novo, pois algumas das células-tronco da medula óssea amadurecem em células imunes no sangue. Desenvolvidos pela primeira vez para pessoas com câncer no sangue, os transplantes de células-tronco carregam o risco de as novas células imunes atacarem o corpo do receptor, uma complicação chamada doença do transplante contra o hospedeiro (GVHD), que pode ser fatal.

Pesquisadores que trabalham com pacientes adultos, incluindo uma equipe de Stanford, realizaram transplantes sequenciais de células-tronco e rim de doadores vivos. Quando o doador foi parcialmente compatível, eles tiveram sucesso parcial, mas os pacientes foram incapazes de descontinuar completamente os medicamentos imunossupressores após o transplante ou – em outros estudos não conduzidos em Stanford – tiveram riscos inaceitavelmente altos de GVHD grave.

A equipe pediátrica de Stanford introduziu refinamentos que melhoram muito o sucesso da combinação de dois transplantes com risco muito menor. Sua principal inovação é uma mudança na forma como as células-tronco do doador são processadas.

Depois que as células-tronco são removidas do corpo do doador, os técnicos realizam a depleção de células T alfa-beta, que remove o tipo de células imunes que causam GVHD. A equipe da Dra. Bertaina mostrou que a depleção de células T alfa-beta – que ela desenvolveu enquanto trabalhava na Itália antes de vir para Stanford – torna os transplantes de células-tronco mais seguros e permite transplantes geneticamente compatíveis. O protocolo é relativamente fácil, tornando-o seguro para crianças com distúrbios imunológicos que são medicamente frágeis demais para um transplante tradicional de células-tronco. As células T alfa-beta se recuperam no paciente após 60 a 90 dias, o que significa que recuperam a função imunológica completa.

Quando os médicos do Stanford Children’s Health começaram a cuidar de algumas crianças com uma doença imunológica extremamente rara chamada displasia imuno-óssea de Schimke (SIOD), eles perceberam que poderiam atender às necessidades médicas dos pacientes com uma abordagem em várias etapas.

“A SIOD inclui doença renal crônica que, em última análise, requer transplante de rim”, disse a Dra. Bertaina. A SIOD também causa insuficiência da medula óssea, o que significa que os pacientes precisam de um transplante de células-tronco para fornecer um novo sistema imunológico saudável.

“Eram pacientes únicos para os quais tivemos que fazer o transplante de células-tronco e um transplante de rim”, concluiu a Dra. Bertaina.

Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Escola de Medicina da Universidade Stanford (em inglês).

Fonte: Erin Digitale, Escola de Medicina da Universidade Stanford. Imagem: Getty Images.

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