Notícia

Estudo da UFC ajuda a desvendar detalhes do mecanismo de dormência da tuberculose

A bactéria responsável pela tuberculose, a Mycobacterium tuberculosis, tem ficado cada vez mais resistente, levando cerca de 1 milhão de pessoas à morte a cada ano

Ribamar Neto/UFC

Fonte

UFC | Universidade Federal do Ceará

Data

sexta-feira, 10 setembro 2021 06:40

Áreas

Biologia. Desenvolvimento de Fármacos. Doenças Infecciosas. Saúde Pública.

A tuberculose (TB) é uma doença que tem desafiado a humanidade há milhares de anos. Com o advento dos antibióticos no século XX, a expectativa era que ela viesse a ser erradicada, mas o que se tem visto é exatamente o contrário: a bactéria responsável pela TB, a Mycobacterium tuberculosis, tem ficado cada vez mais resistente, levando cerca de 1 milhão de pessoas à morte a cada ano.

Um dos motivos para o aumento da resistência é o processo de dormência. A bactéria precisa de oxigênio e, para combatê-la, o sistema imunológico humano a envolve em um granuloma como forma de tentar “asfixiá-la” e impedir a chegada de nutrientes.

O problema é que, quando falta oxigênio, uma proteína da micobactéria é acionada e a coloca em modo de “hibernação”. E aí, a bactéria fica em estado de dormência até que uma baixa no sistema imunológico a desperte e a tuberculose volte. Estima-se que um quarto da população mundial possua a bactéria em estado de dormência.

Hoje em dia, o tratamento para a TB é feito com um coquetel de medicamentos, levando de 8 a 10 meses, enquanto uma infecção comum geralmente leva de 10 a 15 dias. Por isso, muitas pessoas abandonam o tratamento quando a bactéria entra em dormência e os efeitos da doença não são mais sentidos.

Aí entra o problema: a bactéria continua viva, latente, mas agora já tendo entrado em contato com o medicamento. Isso provoca a chamada tuberculose multirresistente, uma forma de TB cujas bactérias já não respondem à isoniazida e à rifampicina, medicamentos tidos como de primeira linha para o combate à doença.

Mas as buscas por novos fármacos que superem este desafio nem sempre são lineares. Por isso,  pesquisadores do Laboratório de Bioinorgânica da Universidade Federal do Ceará (UFC), ligado ao Programa de Pós-Graduação em Química, tentam desenvolver um composto que burle o sistema enzimático da bactéria para se autoativar. Um dos pontos em que os pesquisadores conseguiram avançar foi no detalhamento dos mecanismos de funcionamento da DevS, a proteína que aciona o ‘modo econômico’ da micobactéria. E uma das linhas de ação do laboratório é justamente combinar a isoniazida com um segmento metálico para tentar vencer a resistência. A ideia é enganar a doença: hoje, a maior parte dos fármacos antituberculose é ativada pela própria bactéria. Com o tempo, no entanto, ela “aprende” a não fazer isso.

Nas experiências in vitro, os resultados foram bastante animadores mas, quando se passou para os estudos pré-clínicos, os primeiros resultados colocaram a viabilidade da ideia em dúvida. Agora, os pesquisadores se preparam para analisar novos centros metálicos e ligantes, que se acoplem a diferentes regiões químicas.

As pesquisas do laboratório mesclam diversas áreas da química em torno de dois temas: sensores biológicos e moléculas terapêuticas. Uma vez que os mecanismos da micobactéria começam a ser desvendados, os pesquisadores da Universidade tentam agora desenvolver compostos que bloqueiem o ponto de ativação da proteína DevS.

Os trabalhos do laboratório vêm sendo reconhecidos pela comunidade científica, inclusive resultando em convite para escreverem artigo de revisão na revista científica Coordination Chemistry Reviews.

Acesse a notícia completa na página da Agência UFC.

Fonte: Professor Eduardo Sousa, UFC e Erick Guimarães, Agência UFC. Imagem: Ribamar Neto/UFC.

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