Notícia

Estudo revela que fármaco usado no tratamento da epilepsia pode ser terapia promissora para a Doença de Machado-Joseph

Trabalho foi publicado na revista científica ‘Neuropathology and Applied Neurobiology’

Carolina Caetano, Universidade de Coimbra

Fonte

Universidade de Coimbra

Data

sexta-feira, 19 novembro 2021 12:35

Áreas

Doenças Neurológicas. Farmacologia. Neurociências.

Um estudo desenvolvido no Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) revelou que a carbamazepina, um fármaco usado no tratamento da epilepsia, pode ser uma terapia promissora para a doença de Machado-Joseph.

Coordenado pelo Dr. Luís Pereira de Almeida, professor da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC) e pesquisador principal do CNC-UC, e pela doutoranda Ana Vasconcelos-Ferreira, do CNC-UC, o trabalho foi publicado na revista científica Neuropathology and Applied Neurobiology.

A doença de Machado-Joseph, também conhecida como ataxia espinocerebelosa do tipo 3, é uma doença neurodegenerativa hereditária sem cura, causada por uma alteração em um gene. Essa alteração origina uma forma mutada da proteína ataxina-3 que tende a acumular em forma de agregados no cérebro, conduzindo também a disfunção e morte neuronal. A doença provoca problemas na marcha, no equilíbrio, na fala, na deglutição, nos movimentos oculares e ainda no sono.

A carbamazepina é um fármaco aprovado para outras indicações patológicas, incluindo a epilepsia, e, por isso, pode ser rapidamente reutilizado para tratar outras doenças, o que acaba sendo vantajoso. Com o objetivo de encontrar novas terapias farmacológicas para tratar a doença de Machado-Joseph, os pesquisadores testaram o potencial deste medicamento como promotor da autofagia (mecanismo de eliminação de proteínas anormais), através de modelos in vitro e in vivo da doença.

A equipe decidiu testar este fármaco depois de ter percebido, “em uma investigação pesquisa anterior, que a via da autofagia está desregulada na doença de Machado-Joseph, o que significa que a proteína mutante não é eliminada eficazmente. Por outro lado, observamos que a estimulação da autofagia, por uma estratégia de terapia gênica, promoveu neuroproteção em modelos da doença”, explicou Ana Ferreira, primeira autora do artigo científico.

Nas experiências realizadas com camundongos, “após a administração da carbamazepina, num regime de tratamento específico, percebemos que o fármaco foi capaz de aumentar a autofagia e promover a degradação da proteína mutante. Além disso, o tratamento reduziu os déficits motores e a neuropatologia nos modelos animais de doença”, destacou a pesquisadora do CNC-UC.

Além do Dr. Luís Pereira de Almeida e de Ana Ferreira, participaram do estudo a Dra. Sara Carmo-Silva, José Miguel Codêsso, Patrick Silva e Clévio Nóbrega, também pesquisadores do CNC-UC, e o Dr. Alberto Martinez e Dr. Marcondes Franca Jr., do Departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Ao demonstrar que o fármaco carbamazepina pode ser útil para tratar a doença de Machado-Joseph, e possivelmente outras doenças semelhantes, este estudo representa “um passo em frente na procura por um tratamento eficaz para esta doença neurodegenerativa, apesar de estar longe de ser uma cura”», concluem os autores do estudo.

Acesse o resumo o artigo científico (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade de Coimbra.

Fonte: Carolina Caetano e Cristina Pinto, Universidade de Coimbra. Imagem: Dr. Luís Pereira de Almeida e Ana Ferreira. Fonte: Carolina Caetano, Universidade de Coimbra.

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