Notícia

Estudo sugere possibilidade de vacina para prevenir câncer de pele

Uma vacina de RNA mensageiro que promovesse a produção da proteína TR1 nas células da pele poderia mitigar o risco de câncer induzido por radiação ultravioleta e outros problemas de pele

National Cancer Institute via Unsplash

Fonte

Universidade do Estado do Oregon

Data

quinta-feira, 13 janeiro 2022 16:15

Áreas

Dermatologia. Oncologia. Saúde Pública. Vacinas.

Uma pesquisa da Faculdade de Farmácia da Universidade do Estado do Oregon (OSU), nos Estados Unidos, sugere que uma vacina que estimulasse a produção de uma proteína crítica para a rede antioxidante da pele poderia ajudar as pessoas a reforçar suas defesas contra o câncer de pele.

“A radiação ultravioleta do sol leva ao estresse oxidativo, o que aumenta o risco de câncer de pele, como o melanoma”, destacou o Dr. Arup Indra, professor de Ciências Farmacêuticas da OSU e líder do estudo.

Uma vacina de RNA mensageiro, como as vacinas Moderna e Pfizer contra a COVID-19, que promovesse a produção da proteína TR1 nas células da pele, poderia mitigar o risco de câncer induzido por radiação ultravioleta e outros problemas de pele, segundo o pesquisador.

Os resultados da pesquisa, na qual o Dr. Arup e colaboradores usaram um modelo de camundongo para investigar o papel da TR1 na saúde e estabilidade das células da pele, foram publicados na revista científica Journal of Investigative Dermatology.

O melanoma, o tipo mais letal de câncer de pele, é uma forma na qual células malignas se formam nas células da pele conhecidas como melanócitos: os melanócitos produzem o pigmento melanina, que determina a cor da pele.

A maioria dos casos de câncer de pele está ligada à exposição à radiação ultravioleta. As pessoas ficam bronzeadas com a exposição ao sol ou camas de bronzeamento porque a produção de melanina é a maneira do corpo tentar proteger a pele das queimaduras.

“Apesar dos esforços para melhorar a conscientização pública sobre os sinais de alerta do melanoma e os perigos da exposição excessiva à radiação UV, a incidência de melanoma continua a aumentar. Por mais de 40 anos, os pesquisadores analisaram os antioxidantes dietéticos como uma possível fonte de agentes baratos e de baixo risco para a prevenção do câncer, mas nem sempre tiveram um bom desempenho em estudos clínicos e, em alguns casos, foram realmente prejudiciais – daí a necessidade de procurar novos agentes de quimioprevenção, como uma vacina de mRNA”.

TR1 é a abreviação de tiorredoxina redutase 1. Redutase refere-se a uma enzima que promove uma reação de redução na qual uma espécie química ganha elétrons, geralmente como parte de uma reação “redox” na qual outra espécie sofre oxidação ou perda de elétrons. A TR1 é um componente chave do sistema antioxidante dos melanócitos. Os antioxidantes oferecem proteção contra espécies reativas de oxigênio, ou ROS, que estão em busca de elétrons de moléculas nas células e podem danificar o DNA.

Os melanócitos estão sob o cerco de ROS não apenas pelo sol, mas também porque o processo de produção de pigmento, a melanogênese, faz com que ROS também sejam produzidas. Ao catalisar a transferência de elétrons, os antioxidantes funcionam como um interruptor para o que, de outra forma, seria uma reação em cadeia que afeta várias moléculas nos melanócitos e outras células, evitando assim a oxidação.

As vacinas de RNA mensageiro funcionam instruindo as células a produzir uma proteína específica. No caso das vacinas contra o coronavírus, é um pedaço inofensivo da proteína spike do vírus, que desencadeia uma resposta imune; para a vacina contra o melanoma proposta, seria a TR1.

“Após a absorção do mRNA na célula e após os mecanismos celulares funcionarem, a célula deve estar em um alto nível antioxidante e capaz de cuidar do estresse oxidativo e dos danos ao DNA decorrentes da radiação ultravioleta. Pessoas com risco aumentado de câncer de pele, como aquelas que trabalham ao ar livre em climas ensolarados, poderiam ser vacinadas uma vez por ano”, disse o professor Arup Indra.

Segundo o pesquisador. uma vacina apenas para a TR1, sem outros antioxidantes, poderia ser suficiente, porque foi observado um aumento do estresse oxidativo e danos ao DNA sem a TR1, apesar da presença de outras proteínas antioxidantes. No entanto, é possível que alguns outros antioxidantes, como a glutationa peroxidase e o superóxido dismutase, também sejam importantes.

“Tudo precisa ser testado e validado em modelos pré-clínicos. Precisamos gerar uma vacina de mRNA, entregá-la localmente ou sistematicamente e depois monitorar como ela aumenta as defesas do corpo. Claramente estamos na ponta do iceberg, mas as possibilidades são empolgantes para prevenir diferentes tipos de progressão de doenças, entre elas o câncer, através da modulação do sistema antioxidante do corpo”, concluiu o Dr. Arup Indra.

Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade do Estado do Oregon (em inglês).

Fonte: Steve Lundeberg, Universidade do Estado do Oregon. Imagem: Estrutura 3D de uma célula de melanoma obtida por microscopia eletrônica de varredura. Fonte: ‘National Cancer Institute’ via Unsplash.

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