Notícia

Cientistas desenvolvem pomada para controle de microrganismos na orofaringe

Preparação farmacêutica tem micropartículas com o antimicrobiano sintético clorexidina

Dra. Michelline Brito, UFPB

Fonte

UFPB | Universidade Federal da Paraíba

Data

quinta-feira, 23 junho 2022 06:10

Áreas

Biotecnologia. Entrega de Medicamentos. Farmacologia. Medicina Intensiva. Microbiologia. Odontologia. Química Medicinal.

Cientistas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) desenvolveram uma pomada para controle de microrganismos na orofaringe, parte do corpo localizada atrás da cavidade oral, incluindo a base da língua, o palato mole, as amígdalas e a parte lateral e posterior da garganta.

A preparação farmacêutica tem micropartículas com o medicamento antimicrobiano sintético clorexidina, muito utilizado como antisséptico na desinfecção das mãos e da pele para cirurgia ou na prevenção de infecções. Um dos principais diferenciais do produto é a liberação lenta da clorexidina na cavidade bucal.

Nos experimentos realizados pelos pesquisadores da UFPB, a pomada apresentou uniformidade após o preparo, estabilidade durante 24 meses e perfil de liberação lenta e gradativa em um tempo aproximado de duas horas.

Nas análises de microscopia eletrônica, foi constatado que as micropartículas com clorexidina são compatíveis com a técnica de preparo da pomada por liofilização, tecnologia de secagem por meio da remoção da água através da sublimação. Análise química comprovou a incorporação da clorexidina às micropartículas. Já nas avaliações térmicas, foi observada a uniformidade da clorexidina nas micropartículas e não houve absorção de umidade em 12 meses, o que evidencia a manutenção da estabilidade das micropartículas.

Do mesmo modo, nas investigações científicas por infravermelho, não se evidenciou mudanças nas características estruturais dos grupos funcionais dos componentes das micropartículas.

O estudo microbiológico bactericida e fungicida com cepas livres (planctônicas) e em biofilme (espécie de película protetora para comunidades microbianas viverem aderidas em superfícies) apresentou resultados semelhantes aos observados com a clorexidina livre, demonstrando que a clorexidina é liberada das micropartículas, mantendo as propriedades antimicrobianas tanto na ausência quanto na presença de saliva.

De acordo com a pesquisadora Dra. Michelline Cavalcanti Toscano de Brito, professora do Departamento de Odontologia Restauradora da UFPB e principal inventora do produto, os resultados microbiológicos semelhantes da pomada de micropartículas com clorexidina, em relação à clorexidina livre, indicam que a molécula de clorexidina não perdeu a sua atividade antimicrobiana durante o processo físico-químico de liofilização para o preparo das micropartículas.

“A pomada orabase preparada apresenta características farmacológicas satisfatórias e os testes microbiológicos mostraram atividade antimicrobiana para bactérias e fungos na forma livre (planctônica) e em biofilme maduro uniespécie”, destacou a professora da UFPB.

A Dra. Michelline Brito disse que a atividade antimicrobiana da pomada orabase com efeitos de liberação lenta da clorexidina correspondeu ao esperado enquanto objetivo da pesquisa de ter uma forma farmacêutica nova com liberação gradual e lenta da clorexidina para uso na cavidade bucal.

Pomada orabase é uma forma farmacêutica semissólida para aplicação na mucosa bucal. Consiste na solução ou dispersão de um ou de mais princípios ativos em baixas proporções, em uma base não aquosa. As micropartículas com clorexidina, com testes farmacológicos e microbiológicos satisfatórios, foram consideradas um produto farmacêutico intermediário, podendo ser testado em diversas formas farmacêuticas.

A pesquisadora da UFPB alertou que foi verificada a oxidação da pomada de micropartículas com clorexidina e da pomada-controle com maltodextrina, após período de preparo de 30 dias.  A maltodextrina é um carboidrato complexo produzido a partir da transformação enzimática do amido de milho e, nas micropartículas que compõem a pomada, funciona como excipiente para permitir a liberação lenta da clorexidina.

A pesquisadora explicou que a clorexidina é uma molécula ativa que, na forma de sal (digluconato de clorexidina), torna-se mais estável e com ação antimicrobiana. “O digluconato de clorexidina possui características desinfetantes e antissépticas e é amplamente usado em produtos para a saúde humana e animal, tendo alta atividade com ação antimicrobiana, agindo contra bactérias, alguns fungos e vírus”, destacou a Dra. Michelline Brito.

A pomada orabase com incorporação de micropartículas com clorexidina é uma inovação tecnológica registrada junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), como patente de invenção, sob o título ‘Pomada orabase com clorexidina antisséptico’.

A ideia é a de que a pomada funcione como mecanismo de prevenção da pneumonia nosocomial, que se desenvolve durante a hospitalização e está fortemente associada à ventilação mecânica (intubação), método de suporte comumente utilizado nesta pandemia de COVID-19, em pacientes em estado grave da infecção.

De acordo com a professora, a clorexidina é considerada o padrão ouro enquanto antisséptico bucal, com ação fundamentada contra o crescimento de bactérias e fungos e o seu uso associado à remoção mecânica do biofilme dentário diminui a colonização por patógenos bucais e respiratórios que podem colonizar a cavidade bucal.

Acesse a tese de doutorado ‘Micropartículas com clorexidina: caracterização, atividade antimicrobiana contra microrganismos da orofaringe em pacientes de UTI e desenvolvimento de pomada Orabase’.

Acesse a notícia completa na página da Universidade Federal da Paraíba.

Fonte: Pedro Paz e Aline Lins, UFPB. Imagem: Medição do halo de inibição do teste microbiológico por difusão em ágar, comprovando a atividade antimicrobiana da pomada com micropartículas com clorexidina. Fonte: Dra. Michelline Brito, UFPB.

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