Destaque

Novo método de simulação computacional pode acelerar a busca de medicamentos contra a COVID-19

Fonte

Agência FAPESP

Data

segunda-feira. 29 novembro 2021 13:45

Estudo conduzido por pesquisadores do Brasil, da Alemanha e da Finlândia propõe um novo padrão para simulações, utilizando técnicas computacionais, que promete acelerar a busca por compostos bioativos contra o vírus causador da COVID-19. O procedimento foi aplicado no estudo de uma das principais proteínas atuantes no ciclo reprodutor do SARS-CoV-2, que tem recebido grande atenção dos cientistas e da indústria farmacêutica por ser considerada um alvo para drogas antivirais. Os pesquisadores estimam que o método por eles desenvolvido possa reduzir o tempo gasto na fase inicial da pesquisa básica, que dura de dois a três anos, para menos de um ano.

Como explicaram os autores, o SARS-CoV-2 apresenta uma camada externa de proteínas repletas do aminoácido cisteína, que precisa estar intacta e ativa para que o vírus mantenha sua atividade. A principal protease, enzima que quebra as ligações peptídicas entre aminoácidos e proteínas, é a Mpro (sigla derivada do termo em inglês main protease), responsável por clivar poliproteínas (cadeias proteicas) em proteínas menores. Estas, por sua vez, estão relacionadas à produção do RNA que codifica proteínas estruturais do patógeno, como a spike (que se liga ao receptor da célula humana viabilizando a infecção) e as que formam o envelope viral (camada mais externa que protege o material genético).

Pesquisadores e a indústria de fármacos olham a Mpro como alvo para o desenvolvimento de medicamentos contra a COVID-19 porque a possibilidade de influenciar ou bloquear essa clivagem representa a quebra de uma das etapas iniciais do ciclo de reprodução do vírus. Um dos caminhos é a sintetização de componentes químicos projetados para se ligar a pontos específicos da proteína, de forma a bloquear esse processo e inativá-la.

Para desenvolver novos medicamentos a indústria farmacêutica leva, em média, 20 anos. Um dos resultados do estudo publicado na revista científica Journal of Biomolecular Structure and Dynamics foi a construção de um padrão para simulações que pode reduzir para menos de um ano o tempo na busca por novos compostos bioativos contra o SARS-CoV-2. A procura pelo composto ativo é feita logo no início do desenvolvimento do medicamento, fase que normalmente leva de dois a três anos

“Para produzir as vacinas, foram usadas informações já relatadas do SARS-CoV-1, de quem o SARS-CoV-2 é uma evolução, acelerando a fase pré-clínica. Não podemos fazer o mesmo na pesquisa básica para desenvolver medicamentos porque não temos as informações de base necessárias para tal”, explicou o Dr. Glaucio Monteiro Ferreira, do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP) e autor principal do artigo. Ele conduziu parte da pesquisa no Departamento de Oncologia e Pneumonologia, Medicina Interna VIII do Hospital Universitário de Tübingen, na Alemanha, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) (16/12899-6 e 19/24112-9).

Outro fator que demanda mais tempo para a pesquisa e desenvolvimento de um novo fármaco são os estudos sobre a forma como ele será disponibilizado – se por via oral, como comprimido ou líquido, ou se na forma injetável, por exemplo. “Se for um medicamento para ser ingerido, precisamos garantir que ele passe por todas as barreiras do corpo humano para chegar aonde ele tem de fazer a ação. São detalhes que demandam mais tempo para desenvolver um fármaco se comparado a uma vacina”, completou o pesquisador.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Agência FAPESP.

Fonte: Janaína Simões, Agência FAPESP.

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