Notícia

Pesquisadores descobrem droga que permite a cura de feridas sem cicatrizes

Pesquisadores identificaram os mecanismos de formação das cicatrizes na pele e demonstraram em camundongos uma maneira de fazer feridas ou cortes cicatrizarem como pele normal em vez de como a cicatriz

Getty Images

Fonte

Universidade Stanford

Data

segunda-feira, 26 abril 2021 15:30

Áreas

Biologia. Dermatologia. Farmacologia. Medicina Regenerativa.

Uma pergunta simples – Por que ficamos com cicatrizes após uma lesão ou incisão cirúrgica? – levou o Dr. Michael Longaker, professor e pesquisador da Escola de Medicina da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, a uma busca de 34 anos por uma resposta.

Agora, o cirurgião de Stanford e seus colegas descobriram. Eles também descobriram que interferir com certos sinais moleculares durante a cura pode produzir tecido indistinguível da pele normal.

Um artigo descrevendo as pesquisas foi publicado no último dia 23 de abril na revista científica Science. Shamik Mascharak, doutorando de Stanford, , é o autor principal. O Dr. Longaker também assina o estudo, juntamente com outros colegas pesquisadores de Stanford.

Quase todo mundo tem algum tipo de cicatriz. O Dr. Longaker estima que, a cada ano, nos Estados Unidos, cerca de 50 a 80 milhões de novas cicatrizes são produzidas por cirurgia e muitas mais resultam de acidentes. A cicatriz não é apenas um problema cosmético: o tecido cicatricial não tem folículos capilares nem glândulas sudoríparas e é inflexível e mais fraco que a pele. As cicatrizes podem limitar a capacidade de nosso corpo de se mover e se adaptar às mudanças de temperatura. “Atualmente, não há droga ou estratégia molecular para prevenir ou reverter o processo fibrótico de formação de cicatriz”, disse o pesquisador, que também é codiretor do Instituto de Biologia de Células Tronco e Medicina Regenerativa da Escola de Medicina da Universidade Stanford.

Um selante rápido

As cicatrizes se formam porque selam uma abertura na pele mais rapidamente do que a pele normal poderia crescer. Se você se curar lentamente, pode pegar uma infecção ou sangrar até a morte. Uma cicatriz é um ponto de solda – cobre a ferida rapidamente, mas compromete a forma e a função ”, explicou o Dr. Michael Longaker. “Dependendo de onde a cicatriz se forma, as pessoas podem não conseguir dobrar os cotovelos, fechar os olhos ou abrir muito a boca. Mas na existência pré-moderna, essas pessoas tinham mais probabilidade de viver, mesmo com essas deficiências”, disse o pesquisador.

Os pesquisadores observaram que a tensão (mecânica) durante o reparo da pele desempenhava um papel crítico na formação de cicatrizes. O Dr. Longaker percebeu como a tensão fazia diferença nas feridas cirúrgicas. Mas por que a tensão na pele durante a cicatrização resulta na formação de cicatrizes? O Dr. Longaker e colegas focaram os estudos em um gene chamado ‘engrailed’. Esse gene ajuda a criar uma proteína às vezes encontrada nos fibroblastos, um tipo de célula da pele que causa a formação de cicatrizes.

Em uma série de experimentos em camundongos, os cientistas descobriram que uma subpopulação de células de fibroblastos na pele que normalmente não expressa o gene ‘engrailed’ começava a fazê-lo durante a cicatrização.

Em seguida, eles examinaram o papel que o estresse mecânico pode desempenhar na ativação do gene em foco. As células podem sentir o estresse mecânico por meio de mecanismos bem definidos, mas existem maneiras de bloquear sua capacidade de fazê-lo. Os pesquisadores analisaram células de fibroblastos de camundongos que não expressavam o gene e as cultivaram em laboratório em três ambientes diferentes: dentro de um gel macio que não produzia tensão mecânica nos fibroblastos em crescimento, em um prato de plástico rígido que produzia tensão mecânica e no mesmo plástico indutor de deformação, mas na presença de um produto químico que bloqueia a sinalização de deformação mecânica.

Os pesquisadores descobriram que os fibroblastos que cresceram no gel livre de tensão não começaram a se expressar o gene ‘engrailed’, mas que os fibroblastos que cresceram no plástico indutor de estresse sim. Se eles adicionassem uma substância química que bloqueasse a sinalização mecânica de deformação, as células cultivadas em plástico não expressariam o gene ‘engrailed’.

Quando a tensão foi aplicada à cicatrização das incisões cirúrgicas em camundongos, houve um aumento no número de células que expressaram o gene, e isso resultou em uma cicatriz mais espessa.

Bloqueio de sinais de estresse mecânico com drogas

Shamik Mascharak identificou uma droga, a verteporfina, que é aprovada pela agência reguladora FDA nos Estados Unidos, para tratar uma doença ocular bloqueando a sinalização de estresse mecânico nas células. Os pesquisadores realizaram feridas cirúrgicas em animais sob anestesia e aplicaram tensão mecânica na ferida em cicatrização, ao mesmo tempo que aplicaram verteporfina na ferida.

Os resultados foram surpreendentes, disse o Dr. Longaker: a pele curada parecia completamente normal. “Devem acontecer três coisas para que a cicatrização de feridas seja uma verdadeira ‘regeneração da pele’: a pele precisa ter glândulas e folículos pilosos normais, precisa ter uma aparência normal ao microscópio e precisa ser tão forte quanto a pele normal”, ressaltou o pesquisador. “E pudemos ver glândulas normais e mostramos que a pele era tão forte quanto a pele não ferida”, concluiu o especialista.

Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade Stanford (em inglês).

Fonte: Christopher Vaughan, Universidade Stanford. Imagem: Getty Images.

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