Notícia

Resíduo do cacau é transformado em matéria-prima para creme facial e loção corporal hidratante

Pesquisador fundou startup com o objetivo de desenvolver uma nova geração de cosméticos com propriedades antioxidante, antimicrobiana e anti-inflamatória associadas ao mel de cacau

Sora Shimazaki via Pexels

Fonte

FAPESP Pesquisa para Inovação

Data

sexta-feira, 13 maio 2022 16:15

Áreas

Cosmética. Dermatologia. Empreendedorismo. Farmacologia. Indústria Farmacêutica. Inovação.

Durante sua pesquisa de doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em que caracterizou os principais microrganismos causadores de doenças no cacau (Theobroma cacao L) no Brasil, o químico Fábio Neves dos Santos observou, durante visitas a fazendas na região de Ilhéus/BA, que durante a extração da amêndoa, usada como matéria-prima do chocolate, é obtido um líquido na prensagem manual da polpa do fruto cuja maior parte é descartada como resíduo agrícola.

“Uma fração muito pequena desse líquido, que tem sabor bastante adocicado e, por isso, é chamado de mel de cacau, é consumida como bebida em regiões como o sul da Bahia, maior produtora do fruto no país. Mas grande parte não é aproveitada”, constatou Fábio Santos.

Ao analisar o líquido, que é pouco viscoso, com grande quantidade de açúcares e redutores, como frutose e sacarose, o pesquisador avaliou que o produto possui atividade antioxidante devido a compostos orgânicos bioativos, além de fibras alimentares, altos teores de vitamina C e minerais essenciais, como potássio, sódio, cálcio, ferro, manganês e zinco. Por isso, teria potencial para ser utilizado como ingrediente em produtos alimentícios e cosméticos.

Com base nessa constatação, o Dr. Fábio Santos fundou a startup Cacaus Biocosmetics, com o objetivo de desenvolver uma nova geração de cosméticos com propriedades antioxidante, antimicrobiana e anti-inflamatória associadas ao mel de cacau.

Por meio de um projeto apoiado pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a startup já elaborou um creme facial e uma loção corporal hidratante à base do insumo.

“Os resultados dos testes in vitro, feitos em modelo celular, indicaram que tanto o mel de cacau como os cosméticos contendo essa matéria-prima não causaram irritação cutânea. Além disso, promoveram a regeneração celular”, disse o Dr. Fábio Santos ao Portal FAPESP Pesquisa para Inovação.

O pesquisador pretende agora angariar mais recursos para iniciar os testes clínicos dos produtos para comprovar as propriedades antioxidante e regenerativas do ingrediente na pele e, com isso, obter a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso das alegações de que os produtos à base dele retardam o envelhecimento da pele, por exemplo.

Antes disso, porém, a startup já deve iniciar a produção e comercialização dos produtos como de grau 1, como são classificados pela Anvisa cosméticos que possuem propriedades básicas que não precisam ser comprovadas inicialmente e não requerem informações detalhadas quanto ao modo e restrições de uso, como perfumes, loções e cremes sem ação fotoprotetora.

“Já comprovamos que os produtos são seguros e por isso podem ser comercializados como de grau 1. Também já entramos com o pedido de patente das formulações e, para lançá-las no mercado e iniciar as vendas mais rapidamente, iremos terceirizar a produção e comercializá-las por meio de e-commerce”, afirmou o pesquisador e empreendedor.

Acesse a notícia completa na página da FAPESP Pesquisa para Inovação.

Fonte: Elton Alisson, FAPESP Pesquisa para Inovação. Imagem: Sora Shimazaki via Pexels.

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