Notícia

Novo estudo resolve um mistério do HIV

Em alguns pacientes com HIV que tomam medicamentos, o vírus ainda aparece no sangue

Pixabay

Fonte

Universidade de Pittsburgh

Data

quarta-feira, 7 outubro 2020 17:20

Áreas

Biologia. Diagnóstico. Doenças Infecciosas. Imunologia.

Cada vez mais, médicos perplexos têm entrado em contato com o Dr. John Mellors, chefe da Divisão de Doenças Infecciosas e especialista em HIV/AIDS do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh (UPMC), nos Estados Unidos, descrevendo pacientes com HIV que seguem o regime de medicação diário destinado a manter o vírus sob controle, cujos exames de sangue dizem o contrário.

Parece que o vírus ainda está aparecendo no sangue do paciente, o que os médicos pensavam que não poderia acontecer quando a infecção fosse controlada com medicamentos. Cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh descobriram o mistério – e a resposta tem implicações clínicas.

Em um estudo publicado na revista científica Journal of Clinical Investigation, os pesquisadores de doenças infecciosas de Pittsburgh mostram que o problema não é a não adesão à medicação ou a resistência aos medicamentos. Em vez disso, os pacientes são vítimas do que os cientistas chamam de “repliclones” – grandes clones de células infectadas pelo HIV que produzem partículas virais infecciosas.

“Descobrimos que os repliclones podem crescer o suficiente e produzir vírus o suficiente para fazer parecer que a terapia anti-retroviral não está funcionando completamente, mesmo quando está”, disse o Dr. John Mellors, autor sênior do artigo e professor da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh.

O HIV se replica assumindo o controle da máquina celular e usando-a para produzir mais vírus, que podem então infectar outras células. A terapia anti-retroviral, que é tomada diariamente, evita que o vírus infecte novas células. Portanto, embora o HIV ainda não possa ser curado, ele pode ser controlado a ponto de não ser detectado em exames de sangue.

O Dr. John Mellors e o Dr. Elias Halvas, também  professor e pesquisador da Divisão de Doenças Infecciosas de Pittsburgh,  lideraram uma equipe multidisciplinar de cientistas de HIV nos Estados Unidos na investigação dos registros médicos e do sangue de oito pacientes com viremia de HIV não suprimível – ou seja, vírus detectável no sangue —apesar da adesão aos medicamentos anti-retrovirais. Amostras repetidas de sangue de cada paciente revelaram sequências genéticas virais idênticas que não mudaram ao longo do tempo.

“Isso indica que, nos pacientes individuais, o vírus em seu sangue vinha de fábricas celulares idênticas”, disse o Dr. Halvas.

Resumindo, em vez de o vírus infectar novas células, as células produtoras de HIV já infectadas crescem em grandes clones que produzem e liberam vírus. Os medicamentos atuais para a infecção pelo HIV impedem que o vírus infecte novas células, mas não afetam a produção de vírus a partir de células ou clones de células que já estão infectadas.

“Mesmo que não tenhamos evidências de que o vírus produzido por esses repliclones está infectando novas células – o que seria prejudicial para o sistema imunológico do paciente – eles podem causar outros problemas, como inflamação crônica. Se o paciente parasse a terapia com medicamentos, o vírus poderia ter uma vantagem inicial na recuperação. E os repliclones são uma barreira fundamental para o desenvolvimento de uma verdadeira cura para o HIV”, destacou o Dr. Mellors.

A implicação imediata da descoberta envolve informar os médicos e pacientes que a viremia do HIV pode ser causada por repliclones. Isso pode ajudar os médicos a desenvolver planos de gerenciamento da doença que podem permitir a continuação do regime antirretroviral atual, sabendo que a troca do regime de tratamento pode não suprimir a viremia. Em vez disso, o paciente pode ser monitorado ao longo do tempo para excluir o desenvolvimento da resistência aos medicamentos – o que ditaria uma mudança na medicação – em pacientes com repliclones.

Em longo prazo, os cientistas devem descobrir como os repliclones escapam da atenção do sistema imunológico e como eles podem ser mortos de forma eficiente para curar a infecção. Embora mais pesquisas sejam necessárias, O Dr. Mellors e sua equipe especulam que repliclones menores e menos facilmente detectados podem estar presentes em todo o corpo e ser responsáveis ​​pela rápida recuperação do HIV em pacientes que interrompem a terapia. Uma complexidade adicional é que nem todas as células de um repliclone podem estar produzindo o vírus ao mesmo tempo e, portanto, podem permanecer ocultas do sistema imunológico como reservatório latente ou invisível do HIV.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade de Pittsburgh (em inglês).

Fonte: Allison Hydzik, Universidade de Pittzburgh. Imagem: Pixabay.

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