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Por que mulheres são tratadas com estatinas redutoras de colesterol com menos frequência que homens?

Estudo considerou registro de 5.693 pessoas elegíveis para o tratamento com estatina

Freepik

Fonte

Associação Americana do Coração

Data

quarta-feira, 21 agosto 2019 12:45

Áreas

Cardiologia. Farmacologia.

As mulheres são menos propensas do que os homens a serem tratadas com estatinas redutoras de colesterol, de acordo com um novo estudo que também analisou as razões por trás das discrepâncias. As estatinas ajudam a reduzir o risco de ataques cardíacos, derrame e outros eventos cardiovasculares, diminuindo os níveis elevados de colesterol. Mas, historicamente, as mulheres receberam tratamentos menos agressivos do que os homens quando se trata do controle do colesterol.

Pesquisadores exploraram possíveis causas para as diferenças em um estudo publicado recentemente na revista científica Circulation: Cardiovascular Quality and Outcomes. Foram examinados os dados de registros nacionais (dos Estados Unidos) de 5.693 pessoas elegíveis para o tratamento com estatina, com base nas diretrizes de manejo do colesterol da Associação Americana do Coração e do Colégio Americano de Cardiologia.

Os especialistas descobriram que as mulheres eram consideravelmente menos propensas que os homens – 67% em comparação com 78% – a serem tratadas com estatina. Entre os motivos citados, as mulheres não receberam a indicação da medicação com a mesma frequência que os homens, ou foram mais propensas a recusar a terapia com estatinas quando houve a prescrição ou estavam mais inclinadas a interromper o tratamento, geralmente citando efeitos colaterais.

Mulheres e homens tinham crenças diferentes sobre o papel das estatinas em relação às doenças cardiovasculares, segundo a pesquisa. As mulheres estavam mais propensas a se preocupar com um ataque cardíaco ou um derrame – ainda assim, menos propensas a acreditar que ter colesterol alto poderia contribuir para isso. As diferenças entre os sexos mantiveram-se mesmo depois que os pesquisadores ajustarem a idade, raça e outros dados demográficos, bem como fatores socioeconômicos e história de saúde.

“Pacientes e provedores de saúde devem ser educados sobre a segurança e eficácia da terapia com estatinas para otimizar os esforços terapêuticos”, disseram os pesquisadores no relatório. Cerca de 35% dos homens e 40% das mulheres tinham níveis de colesterol total de 200 mg/dL ou mais entre 2013 e 2016, de acordo com a Associação Americana do Coração.

“Investimos recursos significativos no desenvolvimento de terapias seguras e eficazes, mas se você observar com que freqüência elas são prescritas e o quanto os pacientes aderem ao tratamento, é apenas uma fração”, disse o Dr. Michael Nanna, principal autor do estudo e membro de cardiologia do Instituto de Pesquisa Clínica da Universidade Duke, nos Estados Unidos. “Esforços futuros devem ser direcionados para melhorar o uso dessas terapias”, realça o pesquisador.

“Esta pesquisa está entre os estudos que tentam ir além dos conjuntos de dados e descobertas de laboratório para descobrir as razões para as diferenças nos cuidados de saúde [entre gêneros]”, disse a Dra. Prateeti Khazanie, professora de cardiologia na Faculdade de Medicina da Universidade do Colorado.

Enquanto pesquisas anteriores sugerem que as mulheres são menos propensas do que os homens a usar estatinas, o novo estudo encontrou fatores subjacentes do paciente e do provedor de saúde que contribuíram para o problema. “Se você puder entender melhor as razões por trás das diferenças entre os gêneros nos cuidados de saúde, você pode direcionar essas questões para ajudar a diminuir essas diferenças no futuro”, disse ela.

“Entender como as terapias afetam os pacientes e como os pacientes tomam decisões – e como os provedores de saúde tomam decisões – será crítico em pesquisas futuras”, concluem os especialistas.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Associação Americana do Coração (em inglês).

Fonte: Associação Americana do Coração (American Heart Association). Imagem: Freepik.

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