Notícia

Proteína humana natural pode impedir dano pulmonar causado pela gripe

Estudo em animais mostra que tratamento bloqueia a inflamação e protege os pulmões sem eliminar o vírus da gripe

CDC via Unsplash

Fonte

Universidade Estadual de Ohio

Data

quarta-feira, 14 outubro 2020 14:05

Áreas

Doenças Infecciosas. Imunologia. Saúde Pública.

A inflamação intensa do pulmão que pode contribuir para a morte por gripe pode ser interrompida por um medicamento derivado de uma proteína humana natural, sugere um novo estudo realizado em animais.

Em estudos com camundongos, todos os animais não tratados que receberam uma dose letal de influenza morreram em poucos dias. Todos os camundongos infectados tratados com a terapia experimental, exceto um, não apenas sobreviveram, mas permaneceram com energia e mantiveram o peso – apesar de terem altos níveis do vírus da gripe em seus pulmões.

O tratamento experimental é uma alta dose de MG53, parte de uma família de proteínas que desempenha um papel essencial no reparo da membrana celular. Já identificada como uma terapia potencial para condições que vão desde a doença de Alzheimer a feridas persistentes na pele, a MG53 desempenhou, no estudo, um papel importante na prevenção da morte por uma infecção letal de gripe, bloqueando a inflamação excessiva – sem ter qualquer efeito sobre o vírus propriamente.

Os pesquisadores estão testando atualmente os efeitos da terapia em camundongos infectados com SARS-CoV-2, o novo coronavírus que causa a COVID-19.

“Eu nunca tinha visto nada assim antes”, disse o Dr. Jacob Yount, professor da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, e coautor principal do estudo. “Mesmo que esses animais tivessem a mesma carga viral que os animais não tratados, eles não ficaram muito doentes com a dose letal da gripe.”

O Dr.  Jacob Yount, cujo laboratório estuda a resposta imunológica contra infecções virais, co-liderou o trabalho juntamente com o Dr. Jianjie Ma, professor de cirurgia cardíaca da Escola Médica da Universidade Estadual de Ohio, que descobriu a MG53 e seu papel no reparo celular e vem desenvolvendo a proteína como agente terapêutico.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine.

Neste estudo, os cientistas testaram a MG53 contra a gripe, que, junto com outros vírus respiratórios, é uma das 10 principais causas de morte em todo o mundo. Os pesquisadores infectaram camundongos com uma dose de uma cepa H1N1 da gripe e trataram metade dos animais com placebo. Usando a proteína MG53 humana recombinante, uma molécula que o laboratório do Dr. Jianjie Ma vem desenvolvendo como droga, os pesquisadores trataram a outra metade dos camundongos com sete injeções diárias, começando 24 horas após a infecção. Os animais não tratados mostraram uma perda de peso agressiva e morreram em nove dias, mas 92% dos ratos tratados perderam muito pouco peso, permaneceram ativos e voltaram ao seu peso normal duas semanas após a infecção.

“A proteína tem uma maneira de reconhecer o tecido que foi ferido e pode ir para lá diretamente. Basicamente, estamos aprimorando um mecanismo anti-inflamatório natural do corpo para que, quando você enfrentar a crise de uma infecção viral agressiva, o corpo possa se defender melhor”, pontuou o Dr. Jianjie Ma.

Apesar dos resultados surpreendentemente diferentes, as cargas virais em ambos os grupos de camundongos foram semelhantes – o que significa que um agente baseado na MG53 não é um medicamento antiviral. Mesmo com alta quantidade do vírus da gripe, as vias respiratórias dos animais tratados mostraram poucos danos aos tecidos.

Embora a equipe ainda esteja trabalhando para identificar totalmente como essa proteção ocorre, os pesquisadores relataram que a MG53 interrompe um acidente da resposta imunológica chamado de “tempestade de citocinas”, que leva a danos nos tecidos. A pesquisa também mostrou que a MG53 mitiga um processo de morte celular relacionado à infecção chamado piroptose, que também promove inflamação e disfunção pulmonar.

“Muitos dos danos aos pulmões com o vírus da gripe são na verdade causados ​​por inflamação excessiva causada por nossa própria resposta imunológica. Se você pode amortecer essa resposta imunológica hiperativa, você terá menos danos aos tecidos, embora o vírus ainda esteja se replicando em níveis realmente altos”, explicou o Dr. Jacob Yount.

O tecido pulmonar danificado pela inflamação pode ser mortal porque permite que fluidos e células se acumulem nas vias respiratórias, impedindo os pulmões de absorver oxigênio.

O trabalho anterior de Ma em modelos animais sugere que o aumento dos níveis da MG53 no corpo para fins terapêuticos é seguro: os camundongos em seu laboratório que foram geneticamente modificados para produzir intensamente a proteína vivem mais e com mais saúde do que os animais normais. Embora os cientistas imaginem a MG53 como parte de um coquetel de drogas contra infecções virais mortais, eles alertam que muito mais pesquisas são necessárias antes que uma terapia esteja disponível para humanos.

“Precisamos de melhores terapias anti-inflamatórias para o reparo de tecidos. Ainda não temos dados da COVID-19, mas mesmo em relação à gripe, que nos atinge sazonalmente, esta aplicação pode fazer uma grande diferença”, concluiu o Dr. Jianjie Ma.

Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade Estadual de Ohio (em inglês).

Fonte: Emily Caldwell, Universidade Estadual de Ohio. Imagem:  Vírus da Influenza A, visualizados por microscopia eletrônica de transmissão (TEM) colorida digitalmente. Fonte: CDC via Unsplash.

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