Notícia

Nova formulação permite usar toxina do veneno da cascavel para tratar dor crônica

Pesquisadores do Instituto Butantan conseguiram reduzir a toxicidade e potencializar o efeito analgésico da crotoxina ao encapsular a molécula com um material à base de sílica

Divulgação

Fonte

Agência FAPESP

Data

sábado, 25 abril 2020 07:50

Áreas

Biologia. Bioquímica. Desenvolvimento de Fármacos. Toxicologia.

Extraída do veneno da cascavel (Crotalus durissus terrificus), a crotoxina tem sido estudada há quase um século por seu potencial analgésico, anti-inflamatório, antitumoral e até como paralisante muscular mais potente que a toxina botulínica. No entanto, a toxicidade da molécula ainda é um fator que limita o seu uso como medicamento.

Um novo estudo, publicado por pesquisadores brasileiros na revista científica Toxins, mostra ser possível potencializar os efeitos terapêuticos e reduzir a toxicidade encapsulando a crotoxina com um material conhecido como sílica nanoestruturada SBA-15, originalmente desenvolvido para uso em formulações de vacina.

O trabalho foi conduzido com apoio da FAPESP no âmbito do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Toxinas, coordenado pelo Dr. Osvaldo Augusto Sant’Anna. Integra a tese de doutorado de Morena Brazil Sant’Anna, orientada pela professora Dra. Gisele Picolo, que também coordenou um projeto sobre o tema. Participaram da pesquisa, conduzida no Instituto Butantan, Flavia Souza Ribeiro Lopes e Louise Faggionato Kimura.

O Dr. Osvaldo Sant’Anna coordena no Instituto Butantan um Projeto Temático em que se estuda a sílica mesoporosa como adjuvante vacinal (substância capaz de potencializar o efeito de vacinas), em colaboração com a professora Dra. Márcia Fantini, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IFUSP).

“Pessoas que respondem mal às vacinas costumam ter macrófagos que catabolizam muito rapidamente o antígeno, sem dar tempo para que os linfócitos induzam a resposta completa de produção de anticorpos”, afirmou o Dr. Osvaldo Sant’Anna à Agência FAPESP. “E trabalhos mostram que a sílica nanoestruturada consegue deixar esses macrófagos um pouco mais lentos.”

Em seus estudos, o pesquisador observou que camundongos produzem mais anticorpos contra o antígeno quando ele é administrado com a sílica. O mineral é formado por microestruturas e pode ser moldado para encapsular moléculas de diferentes tamanhos e formas.

Quando a sílica foi testada com outras toxinas, descobriu-se um novo efeito protetor. “Fizemos ensaios em cavalos com a produção do soro diftérico e com a toxina do tétano, e notamos que a sílica faz com que os antígenos sejam menos potentes e, além disso, diminui o efeito adverso da toxina diftérica”, explicou o Dr. Osvaldo Sant’Anna.

Dor neuropática

O objetivo do estudo foi investigar os efeitos da crotoxina conjugada com a sílica SBA-15 no tratamento da dor neuropática. Trata-se de um tipo de dor crônica causada por lesões em nervos sensitivos. Seu tratamento é um desafio para os médicos, pois os analgésicos comuns, entre eles anti-inflamatórios e opioides, não têm a eficácia desejada.

Para avaliar o potencial terapêutico da crotoxina nesse cenário, os pesquisadores conduziram experimentos com camundongos. Uma condição semelhante à dor neuropática foi induzida por meio de lesão no nervo ciático do animal. O primeiro bom resultado veio ao testar a dosagem máxima da crotoxina com e sem a sílica. “Vimos que foi possível administrar uma quantidade maior da toxina conjugada sem os efeitos adversos, então pudemos aumentar a dosagem”, conta a Dra. Morena Brazil. Com o mineral, foi possível administrar uma dose 35% maior da molécula.

Tanto na fase aguda quanto na fase crônica, o efeito analgésico se mostrou mais prolongado quando a crotoxina estava conjugada com a sílica. Em um dos testes, uma única administração foi capaz de reverter parcialmente a hipernocicepção – sensibilidade aumentada a estímulos – até 48 horas depois do tratamento.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Agência FAPESP.

Fonte: Chloé Pinheiro, Agência FAPESP. Imagem:Divulgação.

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