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Pesquisadores identificam quatro drogas com potencial para combater o coronavírus

Professora da UFMG participou do trabalho com estudo baseado no uso de ferramentas de biologia de sistemas; vermífugos ivermectina e nitazoxanida não passaram nos testes

Getty Images

Fonte

UFMG | Universidade Federal de Minas Gerais

Data

segunda-feira, 20 julho 2020 11:35

Áreas

Bioinformática. Biotecnologia. Ciências Biológicas. Doenças Infecciosas. Farmacologia. Saúde Pública.

Um grupo de dez pesquisadores de diferentes instituições, entre as quais a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), identificou quatro drogas – brequinar, acetato de abiraterona, extrato de Hedera helix e neomicina – com potencial para inibir a infecção causada pelo novo coronavírus.

No estudo, que pode ser acessado em pré-impressão (ainda sem avaliação por pares)os pesquisadores analisaram 65 compostos químicos, por meio de testes in vitro, realizados em culturas de células vivas, e in silico, feitos por meio de simulação computacional.

A participação da UFMG ocorreu justamente nas pesquisas in silico, desenvolvidas com o uso de enormes bancos de dados de informações extraídas da literatura biológica, publicadas ao longo de anos em todo o mundo.

Uma das autoras do estudo, a professora Dra. Ludmila Ferreira, do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG (ICB-UFMG), foi a responsável por essa parte da investigação. Ela coordena o Laboratório de Biologia de Sistemas de RNA. “O mapeamento das intrincadas interações das drogas com os sistemas biológicos do corpo humano e do vírus indica como as substâncias cuja eficácia foi demonstrada nos testes in vitro poderiam atuar no sistema biológico”, explicou a pesquisadora.

Atividade antiviral potente e seletiva

No estudo, os medicamentos brequinar e acetato de abiraterona demonstraram ter “atividade antiviral potente e seletiva” contra o Sars-CoV-2, projetando-se como uma interessante possibilidade. Já os medicamentos extrato de Hedera helix e neomicina foram avaliados como “com atividade antiviral moderada”, o que também gerou expectativa positiva nos pesquisadores.

Em razão disso, eles sugerem que esses quatro medicamentos sejam “mais explorados como adjuvantes terapêuticos” no tratamento da COVID-19 e/ou como ponto de partida para a elaboração de novos medicamentos para a doença. Ou seja: devem motivar, agora, investigações em estudos pré-clínicos e clínicos, para que se avalie se os resultados alcançados in vitro e in silico se repetirão com seres vivos.

Ivermectina e nitazoxanida matam o vírus, mas também a célula

A ivermectina e a nitazoxanida, drogas com ação antiparasitária que chegaram a ser associadas no Brasil ao combate à COVID-19, também foram investigadas no estudo. Os pesquisadores confirmaram que elas “não são seletivas” como tratamento para a doença, pois só teriam ação antiviral contra o coronavírus em uma concentração inviável de ser ministrada em humanos.

Nos testes realizados, as duas drogas até chegaram a eliminar o coronavírus das amostras, mas apenas em concentrações que também mataram as células que tentavam salvar. Com isso, o estudo demonstrou que é inviável mobilizá-las para o tratamento da COVID-19 em humanos na concentração que seria necessária.

Biologia de sistemas

O trabalho da Dra. Ludmila Ferreira na pesquisa foi justamente o de descobrir, com ferramentas computacionais, como as drogas encontradas com atividade boa, seletiva e eficaz in vitro se integrariam em um sistema biológico complexo como o humano – ou seja, identificar quais moléculas do corpo humano essas drogas iriam regular.

“Para buscar essas informações, eu construí redes de interação entre essas drogas e o transcritoma [conjunto completo de RNAs transcritos de um dado organismo em um dado momento] humano e, por meio de um software, fiz a predição de como essas drogas terão efeito no organismo após sua administração”, explicou a pesquisadora.

Essa procura, segundo ela, é feita em um banco de dados que reúne milhões de moléculas já descritas na literatura biológica. “Ao fazer esse cruzamento, o programa consegue predizer, por exemplo, se a droga vai inibir a replicação viral, a inflamação, a apoptose (tipo de morte celular) etc.”, exemplificou.

Segundo a Dra. Ludmila Ferreira, construir uma rede gênica é relativamente fácil para quem sabe trabalhar com bioinformática, mas isso não é o mais importante em uma investigação in silico. “O mais importante é o trabalho do pesquisador, que deve saber como filtrar os dados fornecidos pelo computador para avaliar a sua relevância ou não para a especificidade da doença que se está estudando”, concluiu a pesquisadora.

Acesse o artigo na platsforma bioRxiv.

Acesse a notícia completa na página da UFMG.

Fonte: Ewerton Martins Ribeiro, UFMG. Imagem: Getty Images.

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